| cláudia d.f. bellani
13 jul, 2017

As DORTs e a Odontologia

Fotolia_87120065_Subscription_Monthly_MDesde o advento da revolução Industrial no início do século XIX, onde os trabalhadores migraram do campo para operar os maquinários nas grandes cidades, cada vez mais tecnologias e instrumentação, das mais variadas formas e sofisticação, são incorporadas às rotinas laborais. Isso gera um padrão de atividade laboral que muitas vezes predispõe a manutenção postural prolongada e à realização de exercícios repetitivos manuais.

Deste novo hábito laboral surgiram as lesões por esforços repetitivos (LER), atualmente chamadas de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs). Segundo a norma técnica do INSS sobre DORT (Ordem de Serviço no. 606/1998):

“… Conceituam-se as lesões por esforços repetitivos como uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não e alterações objetivas, que se manifesta principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervos periféricos. ..”

Estas condições representam um problema de saúde muito prevalente na atualidade, acometendo uma variedade de classes profissionais. Acarretam em dores, que tendem a aumentar durante execução da atividade laboral, evoluindo muitas vezes para a diminuição da elasticidade e da força muscular, e em casos mais graves, para deformidades articulares e incapacitação para jornada laboral, repercutindo negativamente nos aspectos biopsicossociais e na qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Os dentistas, pela sua ampla jornada de trabalho em postura sentada e pelos movimentos repetitivos de membros superiores por horas ininterruptas estão no grupo de riscos para o desenvolvimento das DORT. Durante sua rotina, o trabalho com pacientes é executado normalmente com os braços elevados e sem apoio, com a coluna cervical flexionada e rodada, e com aumento da cifose dorsal e retificação da coluna lombar. É conveniente ressaltar que o estresse e sedentarismo também são fatores de risco, e como tal devem ser observados.

Estudos prévios sobre as DORTs em dentistas revelam uma prevalência alta de sintomas na coluna cervical, nos ombros e também na coluna lombar, e que as formas mais comuns de apresentação clínica destas patologias são as tendinites, tenossinovites, síndrome do túnel do carpo, miosites e bursites nos membros superiores e; cervicalgias, cervicobraquialgias, lombalgias, hipercifose dorsal e hérnias discais cervicais e lombares.

Sabendo disto, os dentistas e devem estar atentos aos primeiros sinais e sintomas, desconfiando de dores persistentes, que aumentam na atividade laboral, parestesias, falta de forca muscular e fadiga, para que possam prevenir e tratá-las o mais cedo possível, evitando o comprometimento de estruturas anatômicas importantes para a profissão, aumentando a sua longevidade laboral e a sua qualidade de vida.

Você sabia que uma estratégia simples, como a ginástica laboral pode prevenir o aparecimento das DORTs?

Leia mais sobre o assunto em:

http://revodonto.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S003472722012000100012

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