| prof. rubens sautchuk jr.
11 out, 2017

PRESCRIÇÃO DAMON – Parte 1: ENTENDA COMO FUNCIONA

Ainda existe muita confusão entre os ortodontistas quando o assunto é a mecânica autoligada passiva. Um grande mal entendido que observo frequentemente é quanto a seleção da prescrição de braquetes correta e também da individualização entre as diferentes opções. Importante ressaltar que a única prescrição (comercialmente viável, independente de onde você atue) concebida para essa mecânica é a própria prescrição DAMON. Roth, MBT, Capelozza, Alexander, Andrews, etc e etc… não possuem os torques de compensação necessários para controlar os efeitos colaterais da mecânica Damon. Pois como toda e qualquer mecânica, possui efeitos indesejados que devem ser controlados para se conseguir uma boa fluidez do tratamento ortodôntico de modo a se alcançar uma finalização correta, fácil e precisa.

Vejamos as particularidades do caso clínico a seguir, este é o mesmo caso publicado no post de “Avanço Mandibular”; porém, aqui irei focar nos efeitos colaterais da mecânica Damon e como os braquetes Damon estão preparados para compensar estes efeitos, ao contrário das outras prescrições.(mais detalhes sobre avanço mandibular na mecânica Damon: https://www.damoninoffice.com/single-post/2017/03/08/AVANÇO-MANDIBULAR-OTIMIZADO-COM-A-MECÂNICA-DAMON).

Damon_1_ComoFunciona_moldes

Resumidamente, temos dois grandes desafios mecânicos: 1 – corrigir assimetria intra-arco mandibular que por sua vez causa o desvio da linha média inferior (é a inferior que esta desviada em relação a sagital mediana, a superior é a correta) e uma classe II muito maior do lado esquerdo que do lado direito. 2 – promover o desenvolvimento transversal da maxila atrésica. Embora tenhamos utilizado um sistema de braquetes passivos com slot .022 x .028, arcos CuNiTi Damon Arch Form e todas as premissas iniciais da filosofia Damon, a prescrição dos braquetes era MBT. Portanto, sem as compensações adequadas de torques e angulações para se trabalhar com a mecânica autoligada passiva. Vejamos a seguir algumas das dificuldades de controle mecânico que aconteceram ao longo do tratamento, todas poderiam ter sido evitadas caso a prescrição utilizada fosse a prescrição Damon.

1 – Para correção da assimetria assimetria intra-arco mandibular utilizamos a protrusão unilateral assimétrica com apoio de elástico de classe II unilateral. Abaixo algumas fotos mostrando a evolução dessa mecânica específica ao longo do tratamento (note que o arco inferior deve ficar a frente dos braquetes antes destes serem “fechados” com stops travados na mesial do tubo e a linha média do arco deve estar obrigatoriamente coincidente com a sagital do paciente):

Damon_1_ComoFunciona_Foto1

Damon_1_ComoFunciona_Foto1b

Embora o resultado clínico pareça satisfatório, esse tipo de mecânica tem como efeito colateral um ganho de torque excessivo dos incisivos inferiores, uma vez que não tínhamos as individualizações da prescrição Damon, a vestibularização ficou evidente na Telerradriografia de controle:

Damon_1_ComoFunciona_Foto2

Para a readequação do torque ântero-inferior foi optado pela troca dos braquetes incisivos por acessórios edgewise e mais 6 meses de tratamento foram necessários com torques individualizados para esta região.

2 – O desenvolvimento transversal é a parte mais tranquila do tratamento, desde que você esteja aplicando os fios, levantes de mordida (quando necessários) e os braquetes corretos (braquetes DAMON). Observe a diferença antes e pós tratamento:

Damon_1_ComoFunciona_Foto3

Porém, neste caso particularmente tivemos muito mais trabalho pelo fato de estarmos com a prescrição errada para mecânica autoligada passiva (relembrando que usamos MBT neste tratamento). O desenvolvimento transversal é feito a partir do arco que por sua vez transmite a força primariamente a coroa do dente, mesmo a resposta de movimentação ortodôntica promovendo a movimentação óssea junto com a raiz, existe um ganho de torque vestibular nos dentes posteriores. Fato pelo qual a prescrição Damon possui torques posteriores muito mais negativos que as demais prescrições de arco reto. Sendo assim durante a finalização, o excesso de torque vestibular na região posterior começou a gerar contato prematuro em cúspide palatina do 1o molar tanto em RC quanto em lateralidade no lado de balanceio.

Damon_1_ComoFunciona_Foto4

O ponto de contato prematuro em RC por sua vez promoveu um desvio do eixo mandibular em MIH fazendo com que a linha média inferior acompanhasse a direção do desvio. Note na foto lateral acima o excesso de torque vestibular póstero-superior e o ponto de contato prematuro do 1o molar em RC. Foram necessários mais 6 meses para esse controle de torque associado a desgastes proximais posteriores.

Apesar do resultado oclusal extremamente satisfatório, foi necessário 8 meses a mais de tratamento para compensar todos os efeitos colaterais que seriam controlados caso tivesse sido utilizada a prescrição Damon adequada. Da previsão inicial de 1 e 4 meses de tratamento (já incluído o tempo de avanço mandibular descrito no post anterior) levamos dois anos completos para finalizar esse caso. Quanto maior for o desenvolvimento transversal maior a necessidade do controle do torque posterior, por isso sempre insisto que a prescrição Damon deve ser a prescrição de escolha para esta mecânica, sem contar que ainda existe um outro fator chamado de “Torque Play” (teremos um post exclusivo sobre este assunto) que muda significativamente e também compromete a finalização quando outras prescrições são utilizadas. Reforçando que torques posteriores neutros ou positivos geram contato prematuro em cúspide palatina de molares no lado de balanceio quando executa-se a lateralidade, além de extremamente prejudicial para ATM também comprometem a estabilidade do tratamento ortodôntico.

Na próxima publicação falarei sobre as prescrições Damon individualizadas High Torque, Low Torque e Standard.

O Mito do Controle de Torque | Eurodonto

Voltar Voltar